Depois de mais de uma década sem uma série nova, Ghost in the Shell voltou em grande estilo. O reboot chamado simplesmente de “THE GHOST IN THE SHELL”, estreou em 7 de julho de 2026 e chegou ao Brasil no mesmo dia, exclusivo apenas no Prime Video, com dublagem e legendas em português.
O estúdio responsável é o Science SARU, o mesmo de Dandadan, Devilman Crybaby e Keep Your Hands Off Eizouken!. Ou seja, já tinha uma boa animação garantida. E pela primeira vez, a adaptação não segue o filme sério e melancólico do Mamoru Oshii de 1995, nem o clima policial do Stand Alone Complex. Ela segue o mangá que o Masamune Shirow publicou em 1989.
A Major que você não conhecia em Ghost in the Shell
Se você só conhece a Major forte e durona dos filmes, prepare-se para um choque de cultura. A Motoko do mangá é engraçada, temperamental, debochada e abertamente bissexual. Ela xinga, faz piada, apronta, o que fez vários fãs estranharem, achando o tom meio “bobo demais”, e a CBR até cravou que era o anime mais odiado sem motivo de 2026. Mas na verdade essa sempre foi a Motoko original. A gente é que se acostumou com a versão mais séria da personagem.
E tem detalhe pra fã nenhum botar defeito. Os Fuchikoma voltaram na forma original do mangá, no lugar dos Tachikoma de Stand Alone Complex. As cores são vibrantes, a trilha do Taisei Iwasaki tem um estilo jazz maravilhoso, e a abertura “GO GHOST” é do King Gnu, com encerramento do Millennium Parade. O mais interessante é os dois grupos têm o mesmo líder, o Daiki Tsuneta.
Sem inteligência artificial, tudo na mão
Mas talvez a curiosidade mais bonita seja a política de zero GenAI. Numa época em que estúdios flertam com inteligência artificial, o diretor Moko-chan anunciou no festival de Annecy que nada no projeto foi feito com IA generativa, e a plateia aplaudiu de pé. Até a famosa “escrita Shirow”, aqueles rabiscos nas placas e telas que parecem kanji de verdade, mas são só invenção, foi desenhada na mão. Num anime que pergunta o que nos torna humanos, fazer tudo à mão vira quase um manifesto.
O diretor Moko-chan contou que passou um ano e meio numa obsessão quase doentia pelo mangá, chegando a “rezar” pra uma imagem imaginária do Shirow, que ainda está vivo, pra ter forças de fazer jus à obra. O próprio Shirow abençoou o projeto e até brincou que essa seria a primeira parcela de uma segunda geração da franquia.
Uma despedida e uma passagem de bastão
Uma mudança que doeu. A Major agora tem uma nova voz. A lendária Atsuko Tanaka, que dublava a Motoko desde 1995, faleceu em 2024, aos 61 anos. Quem assume é a Maaya Sakamoto, que por coincidência, já tinha dublado a Motoko jovem no filme de 95 e a Major em Arise. Passagem de bastão com carinho. Na dublagem brasileira, feita no estúdio Dublavideo, o mesmo do filme de 95, a Major ficou com a Flora Paulita.
Vale lembrar o tamanho desse monstro. Foi Ghost in the Shell que inspirou The Matrix. O produtor Joel Silver contou que os Wachowski mostraram o filme pra ele e disseram que queriam fazer aquilo de verdade. Sem a Major, talvez não existisse a Trinity.
No fim das contas, essa nova versão não veio pra apagar o filme do Oshii. Veio pra mostrar o outro lado de Ghost in the Shell, algo mais o colorido e cheio de personalidade.
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