Poucos animes brincaram tanto com a cabeça do público quanto Attack on Titan. A obra do Hajime Isayama passou anos escondendo informação e reescrevendo o próprio significado, então é normal sair do último episódio com umas ideias meio tortas na memória.
O problema é que algumas delas viraram verdade absoluta em grupo de fã e comentário de YouTube, mesmo sendo desmentidas dentro da própria obra. Separamos 9 coisas que você entendeu errado em Attack on Titan, com o que realmente acontece no mangá e no anime.
Para quem ainda não assistiu Attack on Titan, tem spoiler de vários momentos incluindo o final da obra.
1. Eren nunca voltou no tempo
Muita gente saiu da quarta temporada achando que Eren virou um viajante temporal, voltando fisicamente ao passado para forçar o Grisha a atacar a família Reiss.
Mas não é assim que funciona. O que existe são os Caminhos, uma dimensão onde todos os súditos de Ymir estão conectados fora da linha do tempo normal. Eren nunca sai do presente. Combinando o fato dele ter a habilidade do Titã de Ataque que permite receber as memórias de outros portadores futuros e o fato dele estar nos caminhos naquele momento, ele pode influenciar a memória do Grisha, aparecendo apenas dentro das lembranças dele. É manipulação de memória do futuro, não máquina do tempo.
2. Mikasa não é uma escrava biologicamente programada para servir Eren
O famoso “Ackerbond”, aquela ideia de que todo Ackerman é geneticamente obrigado a servir um senhor e perde a própria personalidade no processo, simplesmente não existe. Foi uma mentira do Eren no capítulo 112 para a própria Mikasa justamente para afastá-la antes do Estrondo.
A obra derruba isso de várias formas. O flashback do capítulo 130 mostra o Zeke dizendo que a Mikasa está sempre atrás do Eren não por essa condição dos genes dos Ackerman e sim porque ela ama o Eren. Nen Levi nem o Kenny tiveram uma única dor de cabeça na obra inteira, o que já mata a teoria. E o capítulo 139 também revela que as dores da Mikasa eram a Ymir Fritz espiando a mente dela.
Existe ainda uma entrevista do Isayama publicada na revista Bessatsu Shonen Magazine onde ele afirma que a linhagem Ackerman explica a força física, mas que a lealdade de cada um deles vem da personalidade, não do sangue.
3. Ymir Fritz nunca amou o Rei Fritz por escolha própria
Uma leitura comum romantiza demais essa relação, tratando o vínculo entre a Ymir e o rei como um amor livre e genuíno, quase um conto de fadas triste.
Segundo a Attack on Titan Wiki, ela era uma escrava sem vontade própria, que teve a língua cortada, construiu o império do rei, destruiu os inimigos dele e teve filhas por ordem. Mesmo depois de morta, continuou obedecendo e fabricando titãs à mão por dois mil anos.
O que a obra mostra não é amor e sim uma forma extrema de dependência de uma menina que nunca teve a chance de escolher. É basicamente uma síndrome de Estocolmo levada ao extremo que durou por mais de dois milênios e que só termina quando a Mikasa mostra pra ela que existe outro caminho.
4. Reiner não é um traidor sem coração
Quem parou de assistir na segunda temporada guarda o Reiner como o grande vilão canalha que derrubou a Muralha Maria. A quarta temporada desmonta isso por completo.
Reiner é uma criança soldado doutrinada por Marley, que desenvolve um quadro dissociativo grave para conviver com a própria culpa, alternando entre soldado e guerreiro. Quando reencontra o Eren, está tão destruído que praticamente implora por punição. A cena em que ele deixa o Marco ser morto por um titã e depois se horroriza consigo mesmo prova que a consciência dele nunca desligou.
Mas vale a ressalva que boa parte do fandom faz, entender o Reiner não apaga os crimes de guerra dele. Ele não é inocente e sim um soldado de um regime desumano.
5. Eren não sabia de tudo desde o início
Existe a lenda de que o Eren era onisciente, que planejou cada movimento desde criança e enxergava o futuro inteiro com clareza. A CBR aponta esse como um dos maiores mal entendidos da obra, já que as visões do Titã de Ataque são fragmentos soltos, não um filme completo.
A primeira vez que ele recebe um vislumbre realmente coerente é quando encosta na mão da Historia, lá no capítulo 90 do mangá. Antes disso o garoto estava tão perdido quanto qualquer um. Na conversa final com o Armin, ele chega a admitir que não entende vários detalhes do que fez.
6. A “Maldição dos 13 Anos” não dá 13 anos novos a cada Titã comido
Como o Eren carrega três poderes ao mesmo tempo, muita gente assumiu que ele teria 39 anos de vida pela frente. A conta não funciona assim.
A maldição é um contador único que começa a rodar no momento em que a pessoa desperta o poder dos titãs, não por poder adquirido. Tanto que no capítulo 130 o próprio Eren afirma em uma conversa com Zeke que restam cerca de quatro anos para ele, mesmo com o Titã de Ataque, Fundador e Martelo de Guerra nas mãos. Isso por que a Ymir viveu apenas 13 anos depois de ganhar o poder e ninguém consegue passar disso.
7. O plano de eutanásia do Zeke nunca foi para salvar os eldianos
Muitos fãs acham mesmo que Zeke era o pacifista da história, oferecendo a alternativa gentil ao genocídio do Eren. Só que esterilizar um povo inteiro para que ele desapareça em uma geração não é salvação, é extinção programada. Comparando ao plano do Eren pode ser pacifista, mas nunca seria a melhor solução.
Como observa a Sportskeeda, o plano nasce de auto ódio e de propaganda marleyana tão bem sucedida que contaminou a cabeça do Zeke. No fundo ele acreditava que eldianos não eram gente de verdade e por isso não mereciam escolher. Ou seja, ele dizia que o Eren estava doutrinado pelo discurso eldiano por causa do Grisha, mas na verdade era o próprio Zeke quem estava doutrinado.
8. Eren não virou literalmente um pássaro no final
O pássaro que enrola o cachecol no pescoço da Mikasa gerou uma das interpretações mais repetidas do fandom, a de que o Eren reencarnou como um pássaro.
Como explica o Anime Senpai, a leitura dominante é simbólica. O pássaro representa a liberdade que ele buscou e entregou aos amigos, não uma reencarnação física. Tem até uma pista forte contra a versão literal, no capítulo 138 o Eren aparece no mesmo quadro que a ave, então dificilmente são a mesma coisa. Fora que a maldição dos titãs acabou, o que dificulta qualquer explicação sobrenatural.
O Isayama nunca deu um veredito sobre a questão e a ambiguidade parece proposital. Mas não dá para tratar a versão literal como fato.
9. Attack on Titan não é uma história sobre humanos lutando contra monstros gigantes
Durante as três primeiras temporadas, Attack on Titan vende a fantasia de sobrevivência contra criaturas sem sentido, só pra depois revelar a trama de Marley.
Os titãs sempre foram pessoas, eldianos transformados à força. O conflito real é político e étnico, envolvendo perseguição histórica, discriminação, propaganda e ciclos de ódio que atravessam gerações. O discurso do Willy Tybur no quinto episódio da quarta temporada é o ponto exato em que humanos contra monstros vira humanos contra humanos.
Para fechar
O curioso é que quase todos esses erros de leitura têm a mesma raiz, a série adora te dar uma coisa simples e logo depois revirar tudo com algo complexo. Quem revê a obra sabendo disso encontra uma história bem mais dura e bem menos heroica do que parecia.
E aí, quantas dessas 9 coisas que você entendeu errado em Attack on Titan você jurava que eram verdade? Conta pra gente nos comentários qual foi a que mais te pegou de surpresa.
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